A instabilidade registada há 24 horas na rede da Unitel está a ter impacto directo na economia angolana. Segundo analistas, mesmo que a falha seja temporária, os efeitos já se fazem sentir em várias cadeias produtivas do país.
Segundo o economista José Lumbo, muitas operações de negócios são realizadas através da rede Unitel. Com a avaria, empresas e cidadãos ficaram sem alternativa imediata, uma vez que a Africell única operadora a funcionar plenamente neste momento ainda não tem cobertura nacional.
“Existem pessoas que o dia-a-dia é comunicação. Há quem está na Huíla e precisa se comunicar com fornecedores em Luanda e clientes em Benguela. Quando a rede falha, trava-se a economia”, alertou um especialista.
O desequilíbrio regional é um dos maiores riscos. Enquanto alguns agentes económicos conseguem migrar para a Africell, outros em províncias com cobertura limitada ficam isolados.
Para o economista, a situação vai além da responsabilidade da operadora, e exige respostas urgentes das autoridades angolanas sobre a total dependência criada pela rede Unitel.
“Telecomunicações é um serviço essencial. O próprio Estado deve bater as portas da Unitel e exigir explicações. Estamos a ser retirados o direito à liberdade de comunicação”, defendeu.
Até ao momento a incerteza para a normalização dos serviços de rede, tem preocupado os empreendedores, sobretudo utilizadores do terminal de pagamento automático vulgo “TPA”.
“Não conseguimos efectuar pagamentos por TPA, os clientes vêm à nossa loja, mas não temos como atender aos seus pedidos de compra. E só desde ontem até hoje, já são muitos colegas de negócios que perderam milhões por conta desta falha técnica da Unitel”, disseram alguns empreendedores utilizadores destes meios.
A Unitel já informou que uma avaria num equipamento central afectou os serviços de dados e Internet em várias zonas do país e que as equipas técnicas trabalharam para a normalização.