O Rei Ekuikui VI, Tchongolola Tchongonga, anunciou a criação da Universidade da Oralidade Tradicional do Reino do Bailundo, um projecto destinado a preservar e valorizar os conhecimentos ancestrais do povo Ovimbundu.
O anúncio foi feito durante uma entrevista concedida recentemente à Rádio Correio da Kianda, na qual o soberano explicou que a iniciativa pretende recuperar práticas culturais, conhecimentos tradicionais e valores transmitidos ao longo de gerações através da oralidade.
Na fase inicial, a universidade vai funcionar com 10 salas de aula em formato de jangos tradicionais, espaços comunitários onde serão ministradas disciplinas ligadas à identidade cultural do povo.
Entre os conteúdos previstos estão a importância dos nomes tradicionais, a língua materna, a medicina natural e a gastronomia tradicional. Segundo Ekuikui VI, o projecto pretende igualmente formar especialistas capazes de valorizar conhecimentos antigos e a relação das comunidades com a natureza.
“Sabemos que a farmácia que os nossos ancestrais deixaram está na natureza. Devemos ter especialistas nas matérias com formação no antigo”, afirmou o soberano.
O rei destacou ainda o papel da Cooperativa Agro-pecuária do Reino do Bailundo na recuperação de culturas agrícolas e práticas alimentares tradicionais que, segundo disse, estavam em risco de desaparecer.
Ekuikui VI defendeu também a necessidade de recuperar hábitos alimentares considerados tradicionais, criticando a influência de padrões alimentares ocidentais na saúde das comunidades. Para o soberano, algumas doenças actualmente frequentes estão relacionadas com mudanças nos hábitos de consumo.
“Não é que acontece hoje: alguém com 60 anos tem doenças que quase não têm cura, passa o dia na cadeira. É por conta de novos hábitos alimentares ocidentais”, afirmou.
O Rei do Bailundo considerou necessário que as comunidades resgatem práticas culturais próprias, sublinhando que muitos conhecimentos ancestrais foram desvalorizados ao longo do tempo.
Para Ekuikui VI, a tradição oral representa uma fonte de conhecimento e experiência acumulada, defendendo que a velhice deve ser vista como um património de sabedoria e transmissão de valores às novasa gerações.