O membro da sociedade civil Memória Ekulika denunciou o que considera ser uma instrumentalização de artistas angolanos em actos políticos, afirmando que alguns músicos são utilizados como ferramentas de mobilização partidária.
A denúncia foi feita durante o programa Tribuna Livre da Rádio Correio da Kianda, realizado na província do Huambo, no âmbito de um debate sobre intolerância política, cultura de paz e convivência democrática.
Segundo Memória Ekulika, alguns partidos políticos recorrem a grupos musicais para animar actividades partidárias, transformando artistas em instrumentos de promoção política, situação que, na sua visão, pode desvirtuar o papel social da cultura.
“Os políticos não devem usar as pessoas como seus instrumentos. Isso é uma brincadeira”, afirmou.
O activista considerou que a música e os artistas devem contribuir para aproximar os cidadãos e promover a união, e não ser utilizados para alimentar disputas ou divisões políticas.
Memória Ekulika referiu ainda que esta prática é observada em vários países africanos, mas defendeu que Angola deve adoptar uma abordagem diferente, valorizando os artistas e garantindo que o seu envolvimento em actividades políticas ocorra de forma digna e respeitosa.
O representante da sociedade civil destacou igualmente que alguns grupos culturais já manifestaram insatisfação relativamente à forma como são envolvidos em determinados eventos políticos, defendendo maior respeito pelo trabalho dos artistas.
As declarações surgem num contexto de debate sobre intolerância política em Angola, com líderes tradicionais, activistas e representantes partidários a defenderem uma cultura de diálogo, respeito e convivência entre diferentes sensibilidades.

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