A Arábia Saudita procura diversificar a sua matriz energética e reduzir a dependência do petróleo através do desenvolvimento de um programa nuclear civil, contando com o apoio dos Estados Unidos para avançar neste sector estratégico.
Segundo a Reuters, Washington e Riade estão a trabalhar num acordo de cooperação nuclear que permitirá ampliar a participação norte-americana no desenvolvimento da infraestrutura nuclear saudita. O entendimento tem gerado debate internacional devido às garantias de segurança e salvaguardas destinadas a impedir que a tecnologia nuclear seja utilizada para fins militares.
A iniciativa integra a estratégia saudita de transformação económica, conhecida como Visão 2030, que pretende diminuir a dependência das receitas petrolíferas, estimular novos sectores e aumentar a capacidade de produção energética do país.
Apesar de ser um dos maiores produtores mundiais de petróleo, a Arábia Saudita tem investido em fontes alternativas de energia, incluindo projectos de energia solar, procurando responder ao aumento da procura interna e reservar maior parte da produção petrolífera para exportação.
O programa nuclear saudita prevê a construção de reactores para produção de electricidade e o desenvolvimento de competências tecnológicas no sector. As autoridades de Riade defendem que a energia nuclear poderá desempenhar um papel importante na segurança energética do país e no processo de transição para uma economia menos dependente dos combustíveis fósseis.
Entretanto, a possibilidade de a Arábia Saudita desenvolver capacidade própria de enriquecimento de urânio tem levantado preocupações entre especialistas em segurança internacional. Embora esta tecnologia possa ser utilizada para fins pacíficos, também pode ter aplicações militares, aumentando os receios sobre uma eventual corrida nuclear no Médio Oriente.
O avanço da cooperação nuclear entre Estados Unidos e Arábia Saudita ocorre num contexto marcado pelas tensões regionais e pela rivalidade entre Riade e Teerão. Para Washington, o acordo representa uma oportunidade económica e estratégica, reforçando a influência norte-americana no Golfo e abrindo espaço para empresas dos EUA participarem num dos maiores projectos energéticos da região.