Secretário-Geral da ONU, António Guterres, destaca o antigo estadista sul-africano como um símbolo de paz e justiça social, ao mesmo tempo que adverte sobre o agravamento das tensões militares entre os Estados Unidos e o Irão.
O Secretário-Geral das Nações Unidas (ONU), António Guterres, prestou homenagem à vida e ao legado de Nelson Mandela, classificando o falecido estadista sul-africano como uma figura incontornável da paz, da reconciliação, da justiça e dos direitos humanos. Numa mensagem de vídeo partilhada para assinalar o Dia Internacional de Nelson Mandela, o líder da organização mundial sublinhou a importância de manter vivos os valores defendidos por Madiba.
Durante a sua alocução, António Guterres recordou que Nelson Mandela foi um defensor incansável da erradicação da pobreza e da igualdade social. O Secretário-Geral enfatizou que o antigo Presidente sul-africano compreendia que acabar com a pobreza não representa um simples acto de caridade, mas sim um imperativo de justiça e um dever que recai sobre toda a sociedade global.
Desigualdade global e reformas urgentes
O líder das Nações Unidas centrou grande parte da sua mensagem na análise da conjuntura actual, caracterizada por desigualdades económicas profundamente enraizadas. Guterres lamentou que a riqueza continue a acumular-se de forma desproporcional nas mãos de uma minoria restrita, enquanto milhões de pessoas em todo o mundo enfrentam sérias dificuldades para assegurar necessidades básicas, como um trabalho digno, habitação e educação de qualidade.
Para inverter este cenário, António Guterres apelou à construção de economias mais justas e sociedades inclusivas, através do investimento em protecção social e energias renováveis. O Secretário-Geral defendeu ainda uma reforma urgente na arquitectura financeira internacional, de modo a garantir que os países em desenvolvimento tenham acesso facilitado a fundos de financiamento e a programas eficazes de alívio da dívida.
Preocupação com a escalada militar entre EUA e Irão
Paralelamente às celebrações do legado de Mandela, a ONU manifestou uma profunda preocupação com o agravamento das tensões militares entre os Estados Unidos da América e o Irão. A organização internacional alertou de forma clara que os ataques dirigidos a infraestruturas civis são inaceitáveis e reiterou que não existe uma solução militar viável para esta crise regional.
Esta tomada de posição surge na sequência de recentes ataques norte-americanos contra pontes e um aeroporto em território iraniano, acções que motivaram represálias directas contra infraestruturas no Kuwait. O aumento das hostilidades está já a perturbar rotas marítimas estratégicas e o fornecimento de energia no Médio Oriente, gerando instabilidade nos mercados globais.