O Tribunal Militar Superior da Guiné-Bissau procedeu, esta quinta-feira, ao interrogatório judicial de Domingos Simões Pereira, presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), nas instalações daquela instância judicial, em Bissau.
O principal líder da oposição, suspeito de envolvimento numa alegada tentativa de golpe de Estado, foi convocado para comparecer perante o Tribunal Militar Superior para a apreciação da aplicação de uma medida de coacção, de acordo com o despacho judicial a que o Correio da Kianda teve acesso.
Em reacção ao caso, o analista político guineense Tcherno Baldé considera que o processo configura uma violação dos direitos civis e representa a continuação daquilo que classifica como uma perseguição política contra o líder da oposição.
“É uma continuação daquilo que vinha sendo a violação dos seus direitos enquanto cidadão e também, enquanto político, uma perseguição”, considerou.
Para o analista, que falou em exclusivo ao Correio da Kianda, a actuação das autoridades evidencia uma crescente banalização e fragilização das normas constitucionais da Guiné-Bissau, situação que, segundo afirma, contribui para o aumento da insatisfação dos cidadãos em relação às instituições do Estado.
“Continuam a banalização e a fragilização das instituições. Tudo isso continua a ser atropelo a todas as normas constitucionais da Guiné-Bissau, e não se pode esperar algo melhor. O grande impacto continua a ser o adiar do futuro do país”, disse.

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