Notícias de Angola – O Porto de Luanda apresentou, esta quinta-feira, 23 de Julho, na 41.ª edição da FILDA, a sua estratégia para se afirmar como hub logístico regional, assente na digitalização, automatização, modernização dos equipamentos e redução da burocracia, com o objectivo de aumentar a capacidade portuária e reforçar a ligação de Angola aos mercados da região.
O Porto de Luanda prevê aumentar entre 20% e 25% a sua actual capacidade de movimentação de carga, a partir de 2027, no âmbito dos investimentos em curso destinados à modernização das operações e à consolidação do seu posicionamento como hub logístico regional.
A projecção foi apresentada durante o painel “Porto de Luanda: Posição Estratégica como Hub Logístico Regional”, realizado no terceiro dia da 41.ª edição da Feira Internacional de Luanda (FILDA). Moderado por Márcia Costa, chefe do Departamento de Gestão das Concessões do Porto de Luanda, o encontro contou com as intervenções de Silvano Araújo, Administrador Executivo para a Área Comercial, Planeamento e Programação de Navios do Porto de Luanda, e de Patrick Andersson, Director Comercial da DP World Angola.
Silvano Araújo referiu que o Porto de Luanda movimenta actualmente cerca de 19 milhões de toneladas de carga por ano e pretende elevar progressivamente esta capacidade.
“O nosso objectivo é aumentar a capacidade actual entre 20% e 25%, já a partir de 2027. Com a conclusão dos investimentos em curso, poderemos duplicar esta capacidade nos próximos cinco a oito anos e aproximar o Porto de Luanda dos principais portos da região”, afirmou.
Entre os investimentos destacados está a modernização da Janela Única Portuária, que concentra e partilha a informação necessária às operações de importação e exportação. A plataforma permitirá que os dados sejam introduzidos uma única vez e consultados pelas diferentes entidades, reduzindo procedimentos e o tempo de permanência das mercadorias no Porto.
A estratégia inclui ainda sistemas de videovigilância e monitorização através de CCTV, drones e inteligência artificial, bem como o sistema VTS, destinado ao acompanhamento do tráfego marítimo e à programação das escalas. Prevê, igualmente, a ligação aos transportes rodoviário e ferroviário, permitindo acompanhar a carga até ao destino.
No domínio da sustentabilidade, a nova subestação eléctrica foi concebida para fornecer energia aos terminais e, futuramente, aos navios atracados, reduzindo o uso de geradores e motores e contribuindo para a diminuição das emissões de CO₂.
Por sua vez, Patrick Andersson apresentou os investimentos da DP World Angola na modernização dos equipamentos de movimentação de contentores, com destaque para as novas gruas STS, cuja chegada está prevista para 2027, bem como para 12 equipamentos RTG.
“Angola deverá receber, em 2027, novas gruas STS preparadas para operar de forma manual, semi-automática e, futuramente, automática. Com câmaras, sistemas digitais e inteligência artificial, estes equipamentos permitirão aumentar a produtividade e tornar as operações mais eficientes”, declarou.
Os participantes consideraram que a combinação entre infra-estruturas modernas, equipamentos automatizados, digitalização dos processos e redução da burocracia poderá diminuir os custos portuários e contribuir para que as mercadorias cheguem ao mercado com preços mais competitivos.
Já nesta sexta-feira, no perído das 10h00 às 12h00, realiza-se o painel “Crescimento Profissional e Carreira Portuária”, moderado pelo Dr. Marco Victor, com intervenções do assessor principal do Porto de Luanda, Manuel Zangui, e da secretária do director de Análise e Estratégia de Mercado, Áurea Hungulo.
A programação encerra no dia 25 de Julho, das 10h00 às 11h00, com o painel “Subestação Eléctrica: A Matriz Energética da Modernização”, moderado pelo director do Gabinete de Auditoria Interna, Pascoal João e apresentado pelo director de Infra-estruturas, Obras, Aprovisionamento e Manutenção, Dória Quichaúla.