“Os imigrantes não roubam empregos”: líder do Standard Bank desafia discurso anti-imigração na África do Sul – Correio da Kianda

O Presidente do Conselho de Administração (PCA) do Standard Bank Group, Sim Tshabalala, alertou recentemente que a África do Sul deve observar de perto a saída do Reino Unido da União Europeia (Brexit) como uma evidência clara dos elevados custos económicos resultantes da limitação da migração regional.

Durante a sua intervenção no seminário de inverno da Fundação Kgalema Motlanthe, Tshabalala sublinhou que a saída britânica do bloco europeu, motivada em grande parte por preocupações migratórias, serve como uma lição de advertência e não como um modelo a ser seguido pelas autoridades sul-africanas na reforma das suas políticas de imigração.

O Impacto Real do Brexit como Alerta

O banqueiro apontou dados estatísticos que revelam que o Brexit reduziu o Produto Interno Bruto (PIB) do Reino Unido entre 6% e 8%, contraiu o volume de investimentos em 13% e elevou a taxa de desemprego em cerca de 4%, em comparação com o cenário em que o país permaneceria integrado na União Europeia. Estas declarações coincidem com a actual reforma da arquitectura migratória na África do Sul, onde o Executivo aprovou a unificação das leis de cidadania, imigração e refugiados numa única legislação.

Face aos recentes protestos promovidos por grupos locais contra a presença de cidadãos estrangeiros, Tshabalala refutou veementemente a tese de que os imigrantes retiram postos de trabalho aos nacionais, reduzem os salários ou representam um fardo para o Estado. O gestor classificou estes argumentos como infundados e desprovidos de base factual ou estatística.

O Papel Dinamizador dos Imigrantes na Economia

O responsável máximo do Standard Bank sublinhou que os migrantes desempenham um papel multifacetado na economia sul-africana, actuando como consumidores, inquilinos, transportadores, agricultores, comerciantes e empreendedores. Adicionalmente, destacou que estes cidadãos pagam impostos, quer directamente através do emprego formal, quer indirectamente por via do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA) na aquisição de bens e serviços de consumo diário.

No mesmo evento, outras figuras de relevo alinharam-se com esta visão de integração regional. O antigo Presidente sul-africano, Kgalema Motlanthe, defendeu que as falhas de governação e o fraco crescimento económico, e não a migração, são as verdadeiras causas da violência xenófoba no país. Motlanthe alertou que líderes populistas têm explorado a competição por recursos escassos nas comunidades mais desfavorecidas, apelando a uma acção célere do governo central para evitar a instabilidade política.

Por sua vez, o presidente do conselho de administração do Grupo MTN, Mcebisi Jonas, reforçou que as debilidades da economia sul-africana decorrem de problemas estruturais como a falta de crescimento, a má gestão pública, a baixa qualidade do sistema de ensino e as falhas nas infra-estruturas, asseverando que estes desafios persistiriam mesmo que todos os estrangeiros abandonassem o território nacional.

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