Os estados da região do Sahel, nomeadamente o Burkina Faso, Mali e Níger apresentaram uma candidatura conjunta para sediar a Copa Africana de Nações de 2032. Os três países, actualmente administrados por governos militares, formalizaram a proposta após a abertura das inscrições da Confederação Africana de Futebol (CAF), para as edições de 2028, 2032 e 2036.
A Federação Maliana de Futebol afirmou que o projecto assenta em “solidariedade, integração regional e desenvolvimento sustentável” do futebol africano. As três federações garantem que vão trabalhar com as autoridades competentes para estruturar uma proposta forte.
Contexto político e desafio da segurança Burkina Faso, Mali e Níger deixaram a CEDEAO no ano passado e criaram a Aliança dos Estados do Sahel (AES), focada em segurança, comércio e infraestruturas.
Os três países enfrentam insurgências jihadistas e aproximaram-se da Rússia depois de se afastarem de parceiros militares ocidentais.
Questionado sobre garantias de segurança, o presidente da CAF, Patrice Motsepe, disse que os três países “terão tantas chances quanto todos os outros” e “não vão ficar em desvantagem porque são juntas militares”. Mas admitiu que as questões de segurança “terão que ser tratadas”.
Motsepe sublinhou que a CAF precisa “lidar com a realidade”, embora mantenha como “inegociáveis” a democracia, a liberdade de expressão e as eleições.
O dirigente anunciou que pretende visitar os três países para discutir os aspectos técnicos da candidatura.A decisão final caberá ao Comité Executivo da CAF. O organismo exige garantias sobre segurança dos adeptos, livre circulação e infraestruturas antes de escolher qualquer anfitrião.
Os presidentes das federações do Mali, Burkina Faso e Níger reuniram-se com Motsepe no sábado, em Nova Iorque, antes da final do Mundial de 2026. Esteve também presente a presidente honorária da federação do Níger, Coronel-Major Djibrilla Hima Hamidou.
Burkina Faso já acolheu a CAN em 1998 e o Mali em 2002. A edição de 2027 será a primeira com três coanfitriões, Quénia, Tanzânia e Uganda. A partir de 2028, a CAN passa a ter ciclo de quatro anos. Motsepe revelou que a CAF recebeu “convites empolgantes” para as próximas edições e estuda a possibilidade de expandir o torneio de 24 para 28 equipas.
Paralelamente, a AES tem reforçado a cooperação em comunicação. Na terça-feira, o parlamento de transição de Burkina Faso aprovou a criação de dois órgãos conjuntos: a rádio Daande Liptako e a televisão Tafouk TV, com o objectivo de promover a aliança e a integração regional.