As eleições gerais realizadas neste domingo 19, em São Tomé e Príncipe ficaram marcadas pela fraca adesão de eleitores às urnas, além de um ciberataque ao portal da Comissão Eleitoral Nacional, além de dois boicotes eleitorais.
Segundo a imprensa são-tomense, as assembleias de votos registaram uma reduzida afluência de eleitores, com principal realce para as da capital do país, onde apareceram apenas um terço dos inscritos.
As presidenciais santomenses ficaram marcadas desde cedo por dois boicotes eleitorais, a sul de São Tomé, no Ilhéu das Rolas e em Praia de Messias Alves.
Junto às mesas de voto, delegados, observadores e alguns populares lamentavam a fraca afluência, lembrando outros actos eleitorais em que se formaram filas e as assembleias de voto foram obrigadas a distribuir senhas para garantir que todos votassem.
As diversas missões de observação presentes em São Tomé garantiram que o pleito eleitoral decorreu de forma pacífica, apesar de outros incidentes.
A lista de incidentes é marcada por uma tentativa de assalto informático à base de dados eleitoral, a difusão de falsas notícias por alguns candidatos (que a CEN preferiu não nomear) e pelo `sequestro` à página na rede social Facebook do Presidente da República, na sexta-feira, que até ao momento continua fora do controlo de Carlos Vila Nova.
Segundo a CEN, estavam previstas 358 assembleias de voto para estas eleições, 287 em São Tomé e Príncipe (distribuídas por seis distritos em São Tomé e pela Região Autónoma do Príncipe) e as restantes pela Europa (32 em Portugal) e 14 em quatro países africanos.
Mais de 142 mil eleitores foram chamados a escolher o próximo Presidente de São Tomé e Príncipe, numas eleições marcadas pela crispação política, mas sem registo de incidentes de maior.
O actual Presidente, Carlos Vila Nova, tem como principal adversário Nito d`Abreu. Eugénio Tiny e Miques João são os outros dois candidatos, mas não contam com qualquer apoio partidário e a sua campanha eleitoral foi caracterizada como “praticamente inexistente”.
Jorge Bom Jesus chegou a oficializar a sua candidatura, mas anunciou a sua desistência, já fora do prazo legal, quando já estavam produzidos os boletins de votos.
Para a observação das eleições presidenciais de domingo em São Tomé e Príncipe encontram-se naquele país várias missões internacionais, nomeadamente da União Europeia, da União Africana, da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), dos países do G-7+, da Comunidade Económica dos Estados da África Central (CEEAC) e ainda da Rede dos Órgãos Jurisdicionais e de Administração dos Países de Língua Portuguesa (ROJAE-CPLP).
Segundo a CEN, os dados definitivos do recenseamento eleitoral automático registaram 142.191 eleitores, dos quais 121.670 estão em São Tomé e Príncipe e 20.521 na diáspora, nomeadamente 15.917 em cinco países da Europa, e 5.324 em quatro países de África.