O Governo do Zimbabué reforçou o programa de repatriamento e reintegração de cidadãos que regressam da África do Sul, após o aumento da pressão contra imigrantes estrangeiros no país vizinho.
Segundo as autoridades zimbabueanas, cerca de 100 mil cidadãos regressaram ao país desde o final de Maio, num contexto marcado pelo crescimento do sentimento anti-imigração e por apelos de grupos que defendem a saída de estrangeiros sem documentação.
O movimento de retorno intensificou-se com a aproximação do prazo de 30 de Junho, estabelecido por grupos anti-imigração ilegal sul-africanos, que incentivavam estrangeiros sem documentos a deixarem voluntariamente a África do Sul.
De acordo com o Governo de Harare, mais de 70% dos repatriados são mulheres e crianças, estando todos sujeitos a processos de triagem e verificação de perfil nas fronteiras.
No posto fronteiriço de Beitbridge, as autoridades, em parceria com organizações humanitárias, incluindo os Médicos Sem Fronteiras, têm prestado assistência médica e apoio às famílias em trânsito.
O programa de reintegração envolve vários ministérios do Governo, organizações da sociedade civil e agências das Nações Unidas, com acções que incluem transporte, alimentação, abrigo, cuidados médicos e apoio ao acesso à educação.
As autoridades estimam que cerca de dois milhões de zimbabuanos vivem na África do Sul e admitem que mais cidadãos poderão regressar devido às actuais tensões relacionadas com a imigração.
Harare afirma ainda que está a prestar apoio a cidadãos do Malawi e da Zâmbia que atravessam o território zimbabueano no processo de retorno aos seus países de origem.