O Conselho Nacional de Transição (CNT) anunciou o “congelamento prático” das relações com o executivo cabo-verdiano por alegada interferência nos assuntos internos da Guiné-Bissau.
Esta reacção surge após o governo cabo-verdiano ter apelado esta quarta-feira, 14, à libertação rápida de Domingos Simões Pereira e manifestar disponibilidade para o diálogo em busca de soluções pacíficas para o país.
No comunicado divulgado esta quarta-feira, 15 de julho, pelo porta-voz Fernando Vaz, o CNT afirma que o Governo cabo-verdiano não possui legitimidade para fazer comentários sobre processos políticos e judiciais na Guiné-Bissau.
A imprensa bissau-guineense, notícia que o documento sustenta que qualquer tentativa de exigir a libertação de atores políticos constitui uma ingerência na soberania nacional.
O Conselho Nacional de Transição refere alegações relacionadas com processos judiciais em Cabo Verde envolvendo figuras políticas, argumentando que o executivo cabo-verdiano deveria concentrar-se nos seus próprios desafios internos antes de comentar assuntos da justiça guineense.
No comunicado, as autoridades de transição acusam ainda o Governo cabo-verdiano de seguir uma política externa alinhada com interesses portugueses e europeus, alegando que o executivo actua sob influência externa e não em defesa dos interesses africanos.
“O CNT critica a orientação ideológica do Governo de Cabo Verde. Cabo-Verde está a confundir posições partidárias com a acção diplomática do Estado”, refere.
Segundo Fernando Vaz, o CNT recorda acontecimentos ocorridos entre 1973 e 1980, referindo alegações sobre violações de direitos humanos e defendendo que muitas famílias guineenses continuam à procura dos restos mortais de familiares desaparecidos nesse período.
As autoridades destacam o papel desempenhado por combatentes da Guiné-Bissau na luta pela independência de Cabo Verde, sustentando que essa história comum deve ser respeitada.
O documento termina exigindo respeito pela soberania da Guiné-Bissau e reafirmando que o país rejeita qualquer tentativa de interferência externa nos seus assuntos internos.