O incumprimento do pagamento das taxas de condomínio por parte de um número significativo de moradores está a agravar os problemas de funcionamento dos elevadores na Centralidade Vida Pacífica, em Luanda. A situação tem limitado a realização de manutenções preventivas e correctivas, contribuindo para o aumento das avarias e para o sentimento de insegurança entre os residentes.
O problema ganhou maior visibilidade após a morte de um cidadão, ocorrida na segunda-feira, 13 de Julho, no interior de um elevador do prédio 4, bloco 2, da Zona 3. Na sequência do caso, o Correio da Kianda ouviu moradores e coordenadores de blocos, que apontam a falta de recursos financeiros dos condomínios como um dos principais factores que dificultam a conservação dos equipamentos.
Nos blocos 14 e 15, os moradores afirmam que vários elevadores permanecem inoperantes há vários meses, enquanto outros apresentam falhas constantes devido à ausência de manutenção regular. Segundo os residentes, a situação está directamente relacionada com o elevado número de condóminos que deixam de pagar as quotas, existindo casos de dívidas acumuladas há mais de um ano.
“Depois do que aconteceu na Zona 3, muitas pessoas passaram a ter receio de utilizar os elevadores. Até agora, não existe uma explicação clara sobre o que provocou a morte do cidadão”, contou uma moradora do bloco 15.
Outra residente, que pediu para não ser identificada, considera que os próprios moradores também devem assumir responsabilidades.
“Sem o pagamento das taxas de condomínio não há dinheiro para fazer a manutenção dos elevadores. Aqui no nosso bloco há muitos devedores e a coordenação não consegue responder a todas as necessidades por falta de receitas”, afirmou.
O Correio da Kianda apurou ainda que, em grande parte dos edifícios da centralidade, dos dois elevadores inicialmente instalados apenas um continua operacional. A utilização permanente de um único equipamento aumenta a sobrecarga, acelera o desgaste mecânico e faz com que as avarias se tornem cada vez mais frequentes.
Perante este cenário, os moradores defendem maior responsabilidade no pagamento das quotas condominiais, bem como uma fiscalização mais rigorosa e inspeções técnicas periódicas aos elevadores. Consideram que a conjugação destas medidas é fundamental para garantir a segurança dos equipamentos, evitar novas paralisações e prevenir a ocorrência de novos acidentes.