Professor sudanês improvisa escola na Líbia para garantir educação a crianças refugiadas – Correio da Kianda

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Em meio às dificuldades enfrentadas por famílias sudanesas refugiadas na cidade de Tajoura, no noroeste da Líbia, o professor Mabrouk Non, de 58 anos, encontrou uma forma de manter o acesso à educação para crianças afectadas pelo deslocamento provocado pela guerra.

Com galhos de árvores e pedaços de madeira, o educador construiu uma sala de aula improvisada onde ensina inglês a crianças, jovens e adultos da comunidade sudanesa refugiada.

Segundo Mabrouk Non, a falta de materiais básicos, como livros, cadernos e giz, representa um dos principais desafios para o processo de aprendizagem. Ainda assim, o professor afirma que continua a leccionar por considerar que a educação é um direito fundamental que deve ser preservado mesmo em situações de crise.

As famílias sudanesas refugiadas na Líbia enfrentam condições precárias de vida, marcadas pela falta de espaço e de infra-estruturas adequadas. Em alguns casos, áreas ocupadas por diferentes famílias são separadas apenas por roupas penduradas, evidenciando a ausência de privacidade e as dificuldades de sobrevivência.

O refugiado Osman Mohammed, que depende de trabalhos temporários, relata que os rendimentos obtidos não são suficientes para garantir as necessidades básicas dos filhos.

“Os meus filhos precisam de cadernos, roupas e comida, mas não consigo fornecer tudo isso para eles”, afirmou.

O Sudão vive actualmente o quarto ano de guerra, iniciada em Abril de 2023, com confrontos entre o Exército sudanês e as Forças de Apoio Rápido (RSF). Desde o início do conflito, cerca de 13 milhões de pessoas foram obrigadas a abandonar as suas casas.

Muitos sudaneses procuraram abrigo na Líbia. Dados da Organização Internacional para as Migrações (OIM) indicam que mais de 240 mil refugiados sudaneses vivem actualmente no país, enquanto persistem os receios de regressos forçados ao Sudão devido à continuidade dos combates, sobretudo na região de Darfur.

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